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"O ato de comer equivale à destruição do objeto com o propósito final de sua incorporação" (Freud)

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"O ato de comer equivale à destruição do objeto com o propósito final de sua incorporação" (Freud)

Se a obesidade estabelece um ponto de encontro entre o mental e o biológico, ao mesmo tempo em que se relaciona com as funções vitais do organismo, ela merece, aos olhos freudianos, maiores atenções por parte da ciência. Mesmo não tendo sido investigada diretamente na teoria freudiana ela instiga o debate analítico pela procedência psicológica que o alimentar humano traz. Conforme assinala Freud em 1938, “o ato de comer equivale à destruição do objeto, com o propósito final de sua incorporação”, combinando o que é denominado na psicanálise pulsão de morte (Thanathos – força que leva o homem e seu mundo psicológico a destruir um objeto) e pulsão de amor (Eros - força que leva o homem e seu mundo psicológico a incorporar um objeto). A investigação científica da obesidade deixa-se marcar, assim, por uma ambivalência (antagonismo entre forças) tipicamente psicanalítica.

Relendo 18 trechos freudianos sobre alimentação, o livro “Freud e a obesidade – a ação psicanalítica do comer”, relançado através desta campanha, demonstra como o ato de comer foi analisado por Freud sobre o confronto dinâmico das forças de destruição e incorporação que agem no psiquismo, trazendo à luz cinco grandes vertentes: o comer, as perturbações alimentares, o cerimonial alimentar, a compulsão alimentar e o devorar.

Se a obesidade é um ponto de interseção do mental com o biológico, ela tem seus méritos para a psicanálise. Mesmo não tendo sido investigada per se por Freud, essa interseção se mantém viva em sua reflexão. E é no último grande tour conceitual de sua obra,, com o Esboço de Psicanálise de 1938, que vai reaproximar a mente, com seus mecanismos, do organismo, com seus processos. A ação de comer é considerada por ele neste momento; indica, assim, que ela sofreria o impacto do confronto energético entre as forças pulsionais antagônicas de Eros (pulsão de amor) e Thanatos (pulsão de morte). Afinal, o ser humano só se alimenta porque incorpora um objeto – assimilação/amor – que acabou de ser dissolvido – destruição/morte, o que faz com que a alimentação seja reconhecida por uma ambivalência psicanalítica: só há assimilação, porque algo é destruído.

Eros e Thanatus

A necessidade de se alimentar não toma, a esse respeito, menor importância, pois estaria vinculada à primeira sensação infantil de prazer causada pela sucção do peito materno. Para se conservar enquanto membro da espécie humana, a criança aprende a incorporar/amar (ou devorar) um objeto que passa a ser foco narcisista de convergência do ego como fonte de prazer (variável sexual, em termos psicanalíticos, econômica). E é no estudo do narcisismo que Freud encontra uma libido objetal e libido do ego, bases da vida pulsional e dos investimentos sexuais, girando em torno da fome e do amor.

Analiticamente opostos, esses estados se confrontam, indicando a ausência de objeto (fome) e a presença de objeto (amor). Encontram suas raízes num viés dinâmico, se considerarmos que a dinâmica nos termos freudianos qualifica um ponto de vista que visa os fenômenos psíquicos como resultantes do conflito e da composição de forças que exercem certa impulsão e têm origem pulsional. Logo, se necessitamos de comida para sobreviver, a ação humana do comer abrange, em última instância, a tendência sexual (econômica) narcísico-amorosa de incorporar ou devorar, tornando-se ambivalente por ser compatível com a destruição dinâmica do objeto que serve para a nutrição.

The king drinks, de Jacob Jordaens, 1638



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Você pode apoiar esta campanha até o dia 08/05/2018 às 23h59m59s
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07/02/2018 - 08/05/2018 (90 dias)
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Se a obesidade estabelece um ponto de encontro entre o mental e o biológico, ao mesmo tempo em que se relaciona com as funções vitais do organismo, ela merece, aos olhos freudianos, maiores atenções por parte da ciência. Mesmo não tendo sido investigada diretamente na teoria freudiana ela instiga o debate analítico pela procedência psicológica que o alimentar humano traz. Conforme assinala Freud em 1938, “o ato de comer equivale à destruição do objeto, com o propósito final de sua incorporação”, combinando o que é denominado na psicanálise pulsão de morte (Thanathos – força que leva o homem e seu mundo psicológico a destruir um objeto) e pulsão de amor (Eros - força que leva o homem e seu mundo psicológico a incorporar um objeto). A investigação científica da obesidade deixa-se marcar, assim, por uma ambivalência (antagonismo entre forças) tipicamente psicanalítica.

Relendo 18 trechos freudianos sobre alimentação, o livro “Freud e a obesidade – a ação psicanalítica do comer”, relançado através desta campanha, demonstra como o ato de comer foi analisado por Freud sobre o confronto dinâmico das forças de destruição e incorporação que agem no psiquismo, trazendo à luz cinco grandes vertentes: o comer, as perturbações alimentares, o cerimonial alimentar, a compulsão alimentar e o devorar.

Se a obesidade é um ponto de interseção do mental com o biológico, ela tem seus méritos para a psicanálise. Mesmo não tendo sido investigada per se por Freud, essa interseção se mantém viva em sua reflexão. E é no último grande tour conceitual de sua obra,, com o Esboço de Psicanálise de 1938, que vai reaproximar a mente, com seus mecanismos, do organismo, com seus processos. A ação de comer é considerada por ele neste momento; indica, assim, que ela sofreria o impacto do confronto energético entre as forças pulsionais antagônicas de Eros (pulsão de amor) e Thanatos (pulsão de morte). Afinal, o ser humano só se alimenta porque incorpora um objeto – assimilação/amor – que acabou de ser dissolvido – destruição/morte, o que faz com que a alimentação seja reconhecida por uma ambivalência psicanalítica: só há assimilação, porque algo é destruído.

Eros e Thanatus

A necessidade de se alimentar não toma, a esse respeito, menor importância, pois estaria vinculada à primeira sensação infantil de prazer causada pela sucção do peito materno. Para se conservar enquanto membro da espécie humana, a criança aprende a incorporar/amar (ou devorar) um objeto que passa a ser foco narcisista de convergência do ego como fonte de prazer (variável sexual, em termos psicanalíticos, econômica). E é no estudo do narcisismo que Freud encontra uma libido objetal e libido do ego, bases da vida pulsional e dos investimentos sexuais, girando em torno da fome e do amor.

Analiticamente opostos, esses estados se confrontam, indicando a ausência de objeto (fome) e a presença de objeto (amor). Encontram suas raízes num viés dinâmico, se considerarmos que a dinâmica nos termos freudianos qualifica um ponto de vista que visa os fenômenos psíquicos como resultantes do conflito e da composição de forças que exercem certa impulsão e têm origem pulsional. Logo, se necessitamos de comida para sobreviver, a ação humana do comer abrange, em última instância, a tendência sexual (econômica) narcísico-amorosa de incorporar ou devorar, tornando-se ambivalente por ser compatível com a destruição dinâmica do objeto que serve para a nutrição.

The king drinks, de Jacob Jordaens, 1638



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